quinta-feira, 27 de setembro de 2012




COMUNICADO !

        O SINTE/RN – REGIONAL DE APODI, COMUNICA A TODOS OS SEUS FILIADOS QUE O ADVOGADO Dr. LINDOCASTRO NOGUEIRA DE MORAIS, ESTARÁ ATENDENDO AOS SINDICALIZADOS NO DIA 04/10/2012 (QUINTA-FEIRA), A PARTIR DAS 10:00h NA REGIONAL DE APODI.
      
      

A DIREÇÃO.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Pagamento das Horas Suplementares dos Professores do Ensino Médio Inovador

dinheiro 3009 Da Redação
Os professores da rede estadual de ensino que atuam no Ensino Médio Inovador, receberam o pagamento das suas Horas Suplementares na folha suplementar.
O pagamento retroativo ao início do contrato, será feito na Folha de pagamento do mês de agosto.
Site Janeyre Souto

quinta-feira, 6 de setembro de 2012



62% dos brasileiros acreditam que educação do País vai melhorar
População do Brasil está otimista, mas é uma das mais críticas da América Central e do Sul em relação à qualidade do ensino atual
Agência Brasil
Nos países das Américas Central e do Sul, a população acredita que a educação irá melhorar na próxima década, mas muitos cidadãos ainda dão “nota vermelha” para os sistemas locais de ensino. É o que aponta a pesquisa Olhares sobre a Educação Ibero-Americana, divulgada nesta quinta-feira (6) pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). No levantamento, foram entrevistadas mais de 22 mil pessoas em 18 países da região, incluindo o Brasil.

Avaliação: Desempenho melhora na educação básica, mas ensino médio ainda patina
Os brasileiros estão entre os mais otimistas em relação ao futuro da educação no País nos próximos 10 anos. Para 62% dos entrevistados, a educação vai melhorar, 26% acreditam que ficará no mesmo patamar e 9% avaliam que irá piorar. Apenas o Paraguai tem um resultado melhor: naquele país, 64% esperam avanços na área. Já os hondurenhos são os que menos acreditam no futuro do sistema educacional de seu país: só 26% acham que a situação irá melhorar, enquanto 37% acreditam que ficará no mesmo nível e 23% preveem piora. Em todos os países, o percentual de pessoas que avaliam de forma positiva o futuro da educação é superior ao daquelas que têm uma percepção negativa.
“Esse otimismo do cidadão é um fator de enorme pressão aos sistemas educativos. Expectativas positivas contribuem fortemente para que a educação funcione”, avalia o secretário-geral da OEI, Álvaro Marchesi.
Por outro lado, os brasileiros estão entre os que têm a pior avaliação sobre a qualidade do ensino público no seu país. A nota atribuída pelos entrevistados, em uma escala de 0 a 10, foi 5,2 pontos, a quarta mais baixa entre os países pesquisados, ao lado de Honduras. O país que, na avaliação dos entrevistados, tem o pior sistema de ensino é o Chile, cuja nota foi 4,6. Os mais satisfeitos são os costa-riquenhos e os nicaraguenses, que atribuíram nota 7 à educação.
O relatório destaca, entretanto, que os resultados devem ser analisados com prudência, já que a percepção dos cidadãos está ligada às circunstâncias sociais, econômicas e políticas de cada país no momento em que a pesquisa foi feita. “Estamos analisando expectativas e não indicadores concretos, que muitas vezes não correspondem às opiniões da população”, destacou Marchesi.
Plano para 10 anos: Projeto que destina 10% do PIB para educação segue para o Senado
Os entrevistados também elegeram o que consideram prioridades para a educação avançar. Em primeiro lugar, aparece melhorar a qualidade das instalações, com 45% das respostas. Na sequência, estão melhorar a formação do professor (41%), melhorar o salário do professor (29%) e incorporar as novas tecnologias no ensino (28%). Só 9% acham que aumentar a jornada escolar diária é importante para fortalecer a aprendizagem. Cada entrevistado pôde marcar mais de uma opção.
O Brasil foi o País que registrou o maior o percentual de pessoas que consideram o aumento dos salários dos professores uma medida prioritária para melhorar a educação: 57% marcaram essa opção, contra 29%, considerando a média das respostas de todos os países latino-americanos. O percentual de brasileiros que avaliam como bom ou muito bom o nível de conhecimento dos professores sobre os temas que lecionam foi 81%, acima da média da região (77%). Os professores mais mal avaliados foram os do Chile (58%). Na outra ponta, estão os da Colômbia (90%).

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

[convite] Desfile Cívico 7 de setembro em Apodi


Clique para ampliar
ROTEIRO DO DESFILE CÍVICO
7 DE SETEMBRO – 2012
  • Saída – Escola M. Profª Lourdes Mota – por trás da escola (horário 16hs)
  • Rua Governador Dix-Sept Rosado (sobe)
  • Rua São João Batista (passando na esquina de Valdir Morais)
  • BR 405 (semáforo) Passando em frente ao posto cidade
  • Rua Marechal Floriano (Desce a caminho do Banco do Nordeste)
  • Encerramento no Calçadão da Lagoa

Fonte: Secretaria Municipal de Educação
Dez mil trabalhadores marcham pela educação em Brasília PDF Imprimir E-mail

marchadestaquehomeCerca de dez mil manifestantes de todo o Brasil estão marchando, neste momento, em Brasília, na Esplanada dos Ministérios, em direção do Congresso Nacional. 
A mobilização é realizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) em parceria com a Central Única dos Trabalhadores (CUT). A VI Marcha Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública tem como tema: "Independência é educação de qualidade e trabalho decente".
"A Marcha tem o objetivo de chamar a atenção das autoridades. Queremos chamar a atenção da Presidência da República, dos prefeitos, governadores, deputados e senadores para os problemas da educação pública brasileira. No momento, nós temos duas questões fundamentais: a luta pelos 10% do PIB para a educação e a questão do cumprimento da lei do piso salarial nacional", afirmou o presidente da CNTE, Roberto Leão.
Além dessas duas reivindicações mencionadas pelo presidente da CNTE, a Marcha também luta pela valorização do plano de carreira para os profissionais da educação; pela aprovação do PNE no Senado, após a derrubada do recurso que tentava colocá-lo para votação na Câmara; e pela normatização da jornada de trabalho do magistério.
A professora Sandra Souza veio de longe para participar do movimento. Baiana, Sandra acredita que a mobilização dos trabalhadores é indispensável na busca por uma educação melhor para os brasileiros. "Viemos para Brasília hoje para nos unirmos nessa luta pelos 10% do PIB. Viemos pela luta da qualidade da educação no Brasil. A educação nesse país não é prioridade. Então, enquanto a educação no país não for prioridade, nós temos que ficar na luta", afirmou.
Fonte: CNTE

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Universidades do RN estão entre as melhores do país

Listagem foi elaborada pelo jornal Folha de São Paulo e criada a partir de quatro requisitos.


As universidades do estado estão na listagem, elaborada pelo jornal Folha de São Paulo, das melhores instituições de Ensino Superior do Brasil. A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) está em 21º lugar, Universidade Federal do Semi-Árido (Ufersa) em 75º colocado, Universidade Potiguar (UnP) em 152º e a Universidade Estadual do RN (Uern) ficou na 126ª posição.

Foram avaliados os seguintes requisitos: pesquisa (a partir dos artigos científicos publicados), qualidade de ensino, avaliação do mercado e indicador de inovação (através do pedido de patentes).

O curso de Administração, Biologia, Ciências Contábeis, Direito, Educação Física, Engenharias, Matemática, Letras, Pedagogia, Psicologia, Serviço Social da UFRN e Engenharias da UnP estão inclusas na lista dos melhores cursos de graduação do Brasil.

Na parte de áreas de conhecimento, a UFRN se destacou na parte de Ciências Humanas e Exatas. As quatro universidades do Rio Grande do Norte também mostraram bons índices no indicador de inovação e na área de pesquisa.

A UFRN ficou em 24º lugar no ranking de inovação, a Uern em 42º e a UnP em 43º e empatado com a Ufersa. No requisito pesquisa, a federal do estado ficou na posição número 29 e a do Semi-Árido em 63º. Já a Uern ficou em 117º e Unp em 177º.

O Ranking Universitário Folha (RUF) é uma listagem inédita e foi criada a partir de uma metodologia própria, inspirada nas avaliações internacionais. Ela mescla indicadores de pesquisa e inovação e a opinião do mercado de trabalho e de pesquisadores renomados.

A listagem incluiu 191 universidades, distribuídas em 188 posições, pois houve empates. Mais detalhes da listagem podem ser conferidos no site http://ruf.folha.uol.com.br.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Ufersa define matrículas dos selecionados na lista de espera

  
ufersa_2Os candidatos relacionados na lista de espera do SiSU para ingresso na Universidade Federal Rural do Semi-Árido estão sendo convocados para participarem da reunião e efetivação da matrícula dos classificados. A reunião vai acontecer no campus da UFERSA no qual o candidato se inscreveu para a lista de espera. Os candidatos devem ficar atentos à data e horários da reunião e devem chegar ao local com antecedência mínima de 30 minutos. Após o horário marcado não será possível à entrada do candidato no recinto da reunião. Foram convocados para a reunião os candidatos relacionados na Lista de Espera cuja classificação esteja dentro do limite de três vezes o número de vagas disponíveis. "É obrigatória à presença do candidato ou representante legal mediante procuração", frisa o pró-reitor de Graduação, professor Augusto Carlos Pavão. O pró-reitor alerta ainda para o horário da reunião afirmando que "a porta será fechada exatamente no horário divulgado não sendo permitida a entrada após o horário".
O professor explica que durante a reunião será efetuada a chamada nominal dos candidatos inscritos na Lista de Espera pela ordem decrescente da nota obtida no ENEM 2011 para a efetivação da matrícula. "Todas as vagas disponíveis pelo SiSU serão preenchidas", afirma Augusto Pavão. Os candidatos que não comparecerem a reunião ou que não apresentarem a documentação exigida serão excluídos da Lista de Espera e perderão o direito de concorrer as vagas.
MOSSORÓ – Na UFERSA Mossoró a reunião vai acontecer no Auditório Amâncio Ramalho, localizado no Prédio da Reitoria, no Campus Leste, nos horários manhã e tarde, de acordo com o curso do candidato. Na quarta-feira, 29 de agosto, pela manhã, para os classificados nos cursos Bacharelado em Ciência e Tecnologia Integral e no Bacharelado em Ciência e Tecnologia Noturno. Já à tarde, às 14h, a reunião é para os candidatos selecionados para os cursos de Administração, Agronomia, Ciência da Computação, Ciências Contábeis e Direito.
Já na quinta-feira, 30 de agosto, às 8h da manhã, a reunião é para os candidatos selecionados nos cursos de Biotecnologia, Ecologia, Engenharia Agrícola e Ambiental, Engenharia de Pesca, Engenharia Florestal, Medicina Veterinária e Zootecnia.
ANGICOS – No campus da UFERSA Angicos a reunião vai acontecer na próxima quarta-feira, 29 de fevereiro, no Auditório do Prédio Administrativo, às 14h, para os cursos de Ciência e Tecnologia Noturno, Ciência e Tecnologia Diurno, Licenciatura em Computação e Informática, e Sistemas de Informação. O Campus Angicos fica localizado na Rua Gamaliel Martins Bezerra, S/N. Alto da Alegria. Angicos-RN. Fone (84) 3531-2549. 9408-0245/ 9175-3458.
CARAÚBAS – No Campus da UFERSA Caraúbas a reunião vai acontecer também na próxima quarta-feira, 29 de agosto, na Escola Estadual Lourenço Gurgel. Para os candidatos do curso Bacharelado em Ciência e Tecnologia Integral, a reunião será às 8h da manha. Já para os candidatos do curso Bacharelado em Ciência e Tecnologia Noturno, a reunião será às 14h. A Escola Estadual Lourenço Gurgel, fica na Rua Valdeci Gurgel, 365, Centro, Caraúbas.
PAU DOS FERROS – Na UFERSA Pau dos Ferros, que funciona interinamente no IF Pau dos Ferros, a reunião vai acontecer auditório Ariano Suassuna, na quarta-feira, dia 29, a partir das 14h, para os candidatos selecionados para o curso Bacharelado de Ciência e Tecnologia Noturno e, na quinta-feira, dia 30, às 8h da manhã, para os selecionados no Bacharelado de Ciência e Tecnologia Integral. O IF Pau dos Ferros fica localizado na BR 405, KM 154, Bairro Chico Cajá, Pau dos Ferros.
DOCUMENTOS – Para a matrícula os candidatos classificados devem apresentar a Carteira de Identidade, CPF, Certidão de Nascimento ou de Casamento, Título de Eleitor, Comprovante de Quitação Militar, Histórico Escolar do Ensino Médio e duas fotografia 3x4 iguais e recentes.
Confira AQUI a Lista de Espera.
Tribuna do Norte

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Apesar de crescer nos anos iniciais, Ideb preocupa no final do fundamental e no ensino médio

Nesta terça-feira (14), o MEC divulgou o "boletim" da educação brasileira. O resultado, apesar do crescimento em todos os ciclos avaliados, ainda é preocupante pois demonstra que a qualidade do ensino avançou pouco em termos educacionais.

As notas dos anos finais (5º-9º anos) do ensino fundamental (4,1) e do ensino médio (3,7) cresceram apenas 0,1.
“Nos anos finais, também superamos a meta. Continua uma trajetória de crescimento consistente, é um resultado bastante significativo, mas não teve a mesma  velocidade dos anos iniciais”, afirmou o ministro Aloizio Mercadante (Educação) em coletiva na tarde desta terça (14).

Ideb 2011 - Brasil

Índice Meta
1º-4º ano fundamental 5,0 4,6
5º-9º ano fundamental 4,1 3,9
Ensino médio 3,7 3,7
Em 2011, os anos finais “tiraram” 4,1, contra 4,0 em 2009, 3,8 em 2007 e 3,5 em 2005. Ou seja: a cada etapa, a nota tem crescido menos. Mesmo assim, em 2011, a etapa cumpriu a meta, que era de 3,9.
Em 2009, o Ideb para o ensino médio foi de 3,6, apenas 0,1 acima da meta daquele ano (que era 3,5). Em 2011, o resultado foi exatamente igual à projeção. Se continuar nesse ritmo, dificilmente o ensino médio conseguirá escapar da “reprovação” na avaliação de 2013, quando precisará ter crescido 0,2 ponto e chegar a 3,9.
O ciclo que manteve o ritmo foi fundamental 1: 0,4 ponto. A nota nos anos iniciais (1º - 4º anos) chegou a 5, numa escala de zero a dez - na última edição, em 2009, a nota tinha sido 4,6.
"O crescimento é muito pequeno", afirma Romualdo Portela de Oliveira, pesquisador e professor da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo). Segundo ele, há dois fatores que precisam ser levados em conta na análise dos dados e que minimizam a importância desse aumento no Ideb. O primeiro deles é que as condições sócio-econômicas dos alunos influenciam "fortemente" os resultados e a economia do país cresceu nos últimos anos. E, depois, à medida que o Ideb se torna conhecido e ganha importância, a tendência é que a atenção sobre ele ajude a melhorar os resultados das escolas.

Ensino médio

O ensino médio ainda se mostra a etapa mais crítica. “O ensino médio sofre de carências que vêm se acumulando, principalmente com a população mais pobre. A falta de um padrão mínimo de qualidade também atinge essa etapa escolar”, afirmou Luiz Araújo, colaborador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.
Os resultados do ensino médio mostram que nove Estados tiveram redução das notas: Acre, Maranhão, Espírito Santo, Pará, Alagoas, Paraná, Paraíba, Bahia e Rio Grande do Sul. Em 2009, a diminuição das notas foi verificada apenas em Roraima e no Distrito Federal.
A diretora-executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz, é enfática: “o Brasil não consegue avançar [nessa etapa]”, lembrando que há avanços a serem comemorados nos anos iniciais.
Para Romualdo Portela Oliveira, as notas do ensino médio, assim como as dos anos finais do fundamental, "evidenciam problemas acumulados, não necessariamente nessas duas etapas". Caso contrário, o progresso visto nos anos iniciais deveriam aparecer também nessas etapas de ensino.

Fundamental 2, o "nó invisível"

Para Priscila Cruz, os últimos anos do ensino fundamental são a etapa mais desassistida. Segundo ela, existe uma crise de identidade porque nem é exclusivamente municipal, nem é exclusivamente estadual como é o caso dos fundamental 1 (predominantemente municipal) e do ensino médio (que é estadual, em sua maioria).
“[Essa etapa] é o nó invisível: a evasão se intensifica, a repetência aumenta e ganho de conhecimento perde fôlego”, afirma Priscila. “[O fundamental 2] está espremido, a gente tem que dar uma atenção especial à essa etapa.”
Segundo ela, não se pode esperar um movimento natural de crescimento como resultado das boas notas dos anos iniciais. “Se não tiver políticas específicas para essa etapa, [ela vai acabar] barrando crescimento do fundamental 1”, diz.

 O que é o Ideb

O Ideb mede a qualidade da educação no Brasil por meio da combinação do nível de conhecimento dos estudantes com a porcentagem de aprovação dos alunos. Ele é calculado e divulgado a cada dois anos.
Font. Portal UOL

sábado, 11 de agosto de 2012


É a educação, ministro!

Muniz Sodre
Simbologia. Os protestos são, no fundo, uma demanda por diálogo público. Foto: Gustavo Moreno/D. A. Press
Greve de professor é mesmo greve? A quem se dispuser a refletir sobre a questão, é aconselhável pesquisar o pragmatismo americano, que atribui grande importância à terminologia como vetor de consolidação ou de mudança ideológica na vida social. Veja-se greve: no contexto semântico do neoliberalismo e na mentalidade seduzida pelo “capitalismo cognitivo”, registra-se uma tendência nada sutil para expurgar da História contemporânea essa palavra.
Primeiro, argumenta-se que, para determinadas atividades, como a educação, não “existe” greve porque a interrupção do trabalho não prejudicaria realmente o empregador. Segundo, no caso do operariado, a greve prejudica a produção, sim, mas seria um instrumento típico do regime fordista de trabalho, logo, anacrônico. A falácia desse tipo de argumentação está em supor a universalidade de categorias hipermodernas, como o “capital humano” (a criação de valor não pela força de trabalho externa ao trabalhador, e sim pelo seu saber vivo, dito “imaterial”), fruto do capitalismo cognitivo, supostamente emergente e virtuoso em todos os rincões do planeta.
Nada disso é falso, mas tudo isso, colocado apenas dessa maneira, esconde alguns fatos importantes. Por exemplo, o capital dito humano mantém a sociedade dependente da “velha” produção material e, não raro, em regimes historicamente regressivos. Outro: a flexibilidade do contrato de trabalho, um dos aspectos emergentes desse processo, contribui para que empresa e produção de riquezas deixem de ser mediadas pelas formas clássicas de trabalho.


A greve é um mecanismo clássico de luta operária, porém, o seu sentido vem sendo reposto na História pelos movimentos sociais em prol não apenas dos direitos trabalhistas, mas também dos direitos civis e dos direitos sociais (educação, saúde). A própria legislação (Consolidação das Leis do Trabalho) reconhece que a palavra greve refere-se, por extensão, à interrupção coletiva e voluntária de qualquer atividade, remunerada ou não, para protestar contra algo. Nada impede que se faça greve até mesmo pelo direito de trabalhar, quando essa atividade estiver ameaçada em sua dignidade ou na possibilidade de sua continuação.
A greve atual dos professores das universidades federais, com quase três meses de duração, insere-se nesse quadro amplo, de muitos aspectos. Comecemos pelo aspecto macroeconômico. Um estudo da Fundação Getulio Vargas mostra que um dos fatores para a atual ascensão da baixa classe média foi a universalização do ensino fundamental a partir dos anos 1990. Estima-se que a continuidade da mobilidade social dependerá do cumprimento das metas de educação.
O problema é que a educação comparece no discurso oficial como uma reles peça orçamentária, mensurável apenas por estatísticas de matrículas, avaliações e recursos. Deixa-se de lado o essencial em todo e qualquer processo educacional, ou seja, o professor e seus históricos fronts republicanos – cultura, pedagogia e democracia. Sem a formulação de projetos político-pedagógicos em níveis nacionais, vê-se prosperar uma subcultura avaliativa, decorrência lógica da presença de tecnoburocratas, em vez de pedagogos e pensadores, na esfera clássica da educação.
É essa subcultura, aliás, que alimenta as organizações internacionais (OCDE, Banco Mundial, Comissão Europeia) empenhadas na constituição de um mercado mundial da educação. Ainda assim, o discurso globalista consegue estar à frente da parolagem governamental, onde a palavra educação circula como um fetiche economicista. Mesmo apoiado no limitado escopo empresarial do capital humano, o discurso globalista não abre mão da valorização do professor.
A valorização republicana do professor dá-se pelo reconhecimento público de sua estabilidade institucional no quadro do Estado. Este é o ponto central do movimento grevista em curso: um novo plano de carreira e um salário sem os “penduricalhos” instáveis, obtidos ao longo de anos de lutas. O reajuste salarial está atrelado a esse plano, sintomaticamente rejeitado pelo atual governo: “A reestruturação das carreiras já ocorreu no governo Lula e agora mudou a política, numa situação agravada pela crise”.
Mas que mudança política? Que crise? Que agravamento? Estas palavras não aparecem nos discursos oficiais sobre os preparativos para a Copa do Mundo ou para as Olimpíadas. Num país que dispõe (neste mês de agosto) de 376 bilhões de dólares em reservas, paga em dia a dívida externa e é credor do Fundo Monetário Internacional, não se podem invocar os álibis da crise mundial e seu agravamento, mesmo com a redução do PIB.
Não se trata realmente de falta de fundos, mas de falta do bom-senso necessário a uma mudança de mentalidade em favor da ampliação das políticas sociais, com vistas à transformação da educação e da saúde públicas. O cuidado é outro, como reverbera o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho: “Temos de nos preocupar muito com o emprego daqueles que não têm estabilidade. Então, toda a nossa sobra fiscal estamos procurando empregar para estimular a indústria, a agricultura, o comércio e os serviços, porque esses nos preocupam mais”.
Em outras palavras, a iniciativa privada gera riqueza, logo, paga impostos que arcam com o custo das políticas sociais. Isto é o que a retórica chama de “paralogismo da indução defeituosa”, e nós chamamos de pérola da simplificação neoliberal. Defeito: o porta-voz deixa de dizer que, quando uma empresa qualquer contrata um profissional qualificado, está incorporando um “ativo” que custou anos de “ativos” familiares ou estatais para a sua formação. Onde o neoliberal diz “custo” leia-se “investimento em infraestrutura”. A terminologia proativa explica: “É a educação, Carvalho!”
“Mas temos todo o respeito pelos servidores”, ressalvou o ministro. Por que então não dialogar com todos os seus órgãos de classe? Respeitar é não discriminar. O plano de carreira, por exemplo, é matéria controvertida entre os próprios professores: tem laivos corporativistas, passa ao largo do problema da padronização salarial que impede a contratação de cérebros estrangeiros. Greve é hoje demanda de diálogo público. Mas no vazio da representatividade inexiste diálogo, já que voz nenhuma se reproduz no vácuo.
Por tudo isso, no momento em que o fantasma do neoliberal Milton Friedman reaparece nos jornais, é admissível pensar que esta greve dos professores universitários tem algo de pedagógico numa sociedade de fraca participação coletiva, mobilizada apenas pela novela das 8: uma aula pública de indignação diante da hipocrisia oficial para com a educação e um apelo à mobilização da sociedade como um todo.
*Professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro e escritor.